19.12.12

ESQUECIMENTO



Como é que posso ter te esquecido, se você foi a razão da minha vida, todos os dias, todas as horas, minutos, segundos, presente, ausente, perto, longe, juntos, separados, fazendo, desfazendo,refazendo, aprendendo a fazer, éramos como um só, sentia assim, pensava assim, para isso vivia e ponto, nada além era verdade, era possível ou tinha existência própria, nada se movia ou ia adiante, pode estar certo, era o real, supondo que a recíproca fosse também, que por ser assim, fosse um hino, uma canção composta para duas vozes em honra de um amor, em louvor a uma causa e por causa dela cantada em verso e prosa e melodia melosa, hiperbólica curva plana em que cada um dos seus pontos mantém igual distancia de dois pontos fixos chamados focos e o foco era você, do meu olhar, do meu corpo, do meu prazer, da minha dor se doesse em você, vertente, ente, ser único que julgava conhecedor dos mistérios, inerente da generosidade, a grandiosidade, luminosidade que eu via no universo, terço a ser rezado de joelhos, infinitésima parte poderia ser a contrapartida, mesmo partida de mim, pensava assim e me esforçava querendo, me tingindo milagroso, criar colapsos de colisões cósmicas, próximas o bastante para te apresentar, te presentear, te adornar, agrandar, por isso dançava, cantava, pintava e bordava com linhas de sete cores, arcos no céu para encontrar o pote de ouro e poder te oferecer o além dos limites, levitando montanhas, aplainando o caminho, caminhando a frente para secar a lama para que teus pés não tocassem coisas impuras, purificado-o com palavras abençoadoras para ser merecedor do toque de teus lábios supondo-os só meus, somando tostões comprava o pão nosso ficando sem camisa própria, para poder vestir-te príncipe, princípio, meio e fim de minha razão, vazão de minhas alegrias, mania de querer para você só o melhor, mesmo antes de teres imaginado, criando mundos mágicos para te deslumbrar, paródias, prosódias, prosopopéias, epopéias, odisséias espaciais, especiais mini-séries com serial killers living on the hig-life, para te entreter tecia tramas tecnológicas, toadas tristes tangidas nas cordas da viola dolente falando da gente simples e sem maldade, da idade de ouro sussurrada em conversas ao pé do fogo, arroubos do homem das cavernas movendo-se nas sombras de um mundo recém começado, caçado como o alquimista medieval volatilizando-se por vielas, vazando para evitar ser vítima do inquisidor e do decepador machado do carrasco, por ter procurando um mundo novo no cadinho da fermentação pútreda do mundo velho, mudando para ser o pirata rapinante aportando paraísos recheados de riquezas, procurado nos sete mares conhecidos, sabidos safaris nada românticos nas savanas Africanas, sacanas abatendo a tiros tigres ou enormes elefantes para roubar-lhes a riqueza da pele ou do marfim, enfim, buscar o conhecimento nos pergaminhos da Grande Biblioteca de Alexandria antes que ardesse em chamas, chamando o divino para te ilustrar, instruir, construir jardins tão belos quantos os que houveram na Babilônia para que embevecido de amor você passeasse neles, enlevado e, acompanhada por revoada de pombas brancas, brilhasse, refletida nas águas de lago artificial, tal o que mandou construir João Fernandes, o Tratador de Diamantes, no Arraial do Tijuco, para passear o barco da sua bela amada Chica da Silva, sua narcísica figura e, figurar nas altas rodas, rodeado de belezas Globais, como o Tal e eu, a sombra, o criado, fiel escudeiro, escada, coadjuvante de cavaleiro andante a derrubar moinhos imaginários lutando pela glória do amor, inventado, catucado com um pauzinho na poeira de estrelas que eu mesmo fizera derramar por ti do alto firmamento, infinita chuva de pétalas de rosas para um pisar macio ao sair do banho de imersão com sais aromáticos importados da Pérsia e ir deitar teu corpo, amado, em lençóis de linho do Egito, em colchas entretecidas de brocados relevados em sedas da China, ouro e prata da antiga Índia, tinindo, retinindo, luzindo, ecoando, fazendo atinar buscar rebuscados diademas ornados de diamantes, safiras, rubis, surrupiados do tesouro particular de Sultões, salteados sem peias para adornar a alcova do amor imaginado, imarginado, sonhado, adorado, odorado por varetas incandescentes importadas de um templo do Tibet para purificar, mandalas, pentagramas, amuletos, patuás para te proteger de todo o mal de que porventura uma desventura te ocorresse, acorrendo na frente a te iluminar com o lume da sapiecia o caminho com todo o carinho de silfo silenciado ou tal Sherazade, a meia luz, contando histórias sem fim para que nos meus braços adormecesses, tudo isso e muito mais em vão, vaidade, vaidade, vaidade, teu nome é.... silogismo, cujo simbolismo é tua conclusão.