6.1.12
A Natureza de um Ato: sua virtude.
Avançai, ó crianças, sob as estrelas, e tomai a vossa plenitude de amor.
Todos os atos são na verdade atos de Amor. Realize todos os Amores que possam existir, ao máximo. Que isto seja na Luz, perante todas as Estrelas, que todas possam ver e regozijar.
12.9.11
" Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destroi o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar. Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade."
Pablo Neruda
4.9.11
UMA CRIATURA
Sei de uma criatura antiga e formidável,
Que a si mesma devora os membros e as entranhas,
Com a sofreguidão da fome insaciável.
Habita juntamente os vales e as montanhas;
E no mar, que se rasga, à maneira do abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.
Traz impresso na fronte o obscuro despotismo;
Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e egoísmo.
Friamente contempla o desespero e o gozo,
Gosta do colibri, como gosta do verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.
Para ela o chacal é, como a rola, inerme;
E caminha na terra imperturbável, como
Pelo vasto arealum vasto paquiderme.
Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo
Vem a folha, que lento e lento se desdobra,
Depois a flor, depois o suspirado pomo.
Pois essa criatura está em toda a obra:
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto,
E é nesse destruir que as suas forças dobra.
Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida;
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a morte; eu direi que é a vida.
Machado de Assis
16.7.11
“E O RESTO QUE VENHA SE VIER, OU TIVER QUE VIR, OU NÃO VENHA".
Quero tudo novo de novo. Quero não sentir medo. Quero me entregar mais, me jogar mais, amar mais.
Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia. Aproveitar os amigos e abraçá-los mais. Quero ver mais filmes e comer mais pipoca, ler mais. Sair mais. Quero um trabalho novo. Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto. Quero morar sozinho, quero ter momentos de paz. Quero dançar mais. Comer mais brigadeiro de panela, acordar mais cedo e economizar mais. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais. Pensar mais e pensar menos. Andar mais de bicicleta. Ir mais vezes ao parque. Quero ser feliz, quero sossego, quero outra tatuagem. Quero me olhar mais. Cortar mais os cabelos. Tomar mais sol e mais banho de chuva. Preciso me concentrar mais, delirar mais.
Não quero esperar mais, quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais. Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente e só o necessário para trás. Quero olhar nos olhos do que fez sofrer e sorrir e abraçar, sem mágoa. Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa. Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão. Quero aceitar menos, indagar mais, ousar mais. Experimentar mais. Quero menos “mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais.
“E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha".
Fernando Pessoa
13.7.11
21.6.11
18.4.11
10.4.11
RETOMADA
Tenho tido pouco tempo para escrever e postar aqui no blog, mas fui surpreendido pelo comentário de um amigo no poema "Desencontro". Transcrevo aqui, pelo valor poético e de pleno entendimento do conteúdo, o que se segue:
A vida é um desencontro de encontros; isso me leva à "Missa do galo" de Machado de Assis, onde se pode constatar o quanto a noite é permissiva,lasciva, amoral, libidinosa, 'prenhe' de sensualidade: o que ela nos permite dizer ou fazer, nao diríamos nem faríamos à luz do sol...
A net, como a noite, nos proporciona "encontros" e "desencontros", o que se diz online nao se tem coragem de dizer face to face e assim vamos num redemoinho de contatos,num momento o amanhã que vc pensou haver chegado se desfez, o toque suave e sensual que pareceu SER REAL, pois fez vc tremer, sentir o suor descendo pelo rosto, o coraçao e a respiraçao desordenados, ERA VIRTUAL. Com um clic, a luz se apaga e tudo se esvaece... O relógio continuou, a luz do sol brilhou, com bocejos acordou e de tudo se esquece......
(Etrusco)
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1.11.10
FADO
Disseram que tudo está escrito
Cora Coralina disse: se tudo está escrito, o que sobrou pra mim?
digo que o fado mais triste pode ser mudado num jogo de dados
dando tratos a bola
bolando coisas de travéz pra atravessar
as linhas trançadas do destino
porque:
em não as comendo as traças
podem arrebentar
bifurcar
errar em diversas saidas
das tripas ilusão sim e talvez
a vez do próximo
mover-se em duplo sentido
o tido e o querido
o rido e o chorado
versado em versos raros afirmo q tudo ainda tem que ser escrito
nada do que foi dito está concluido
o fito carece de confirmo
a afirmação abre pra dúvida
a vida é dádiva
mas também é lágrima
a grama as vezes esconde a lama
a certeza de quem ama esvai
num ai
aí tem que pegar outra direção
outra intenção
outra atenção
outra ação
mesmo sofrendo feito cão escorraçado
a raça do vencedor
de quem quebra a dor
dobra uma esquina
quina pro azar
arranja outros quinhentos
outros ventos
e vai ser grande nesta vida!
14.10.10
OSCAR
A Porca Pig,
Fantoche do Sapo Barbudo.
O Senhor Burns,
Politicamente incorreto.
Concorrem ao Oscar.
Você já viu estes filmes?
Seu voto vai para quem?
10.10.10
SEM RUMO
Sem partido
Atalhado
Em mil direções
Perdido do bando
Bandido de banda
Bandalho
Alheio
Sem enleio
Leio e nem engendro
Dramomaníaco ando sem razão
Egresso dos meus recônditos
Dito desditos
Em desatino
Em recesso
Roo o osso
Cioso pouco posso
Passo por mim desconhecido
Amanhecido
Esqueço os sonhos que me povoaram o sono.
5.10.10
ORDEM E PROGRESSO
Reféns,
De um Presidente omisso,
Vendedor, mascate do Etanol,
que nunca vê o que está acontecendo;
De um Congresso Balcão de Negócios,
Partidários, Públicos, Privados;
De Parlamentares corrompidos pelo sistema;
Lobistas Vorazes,
Oferecendo Propina,
Propalando Verbas.,
Cobrando Influências,
Beneficiando Empreiteiras,
Viciadas em ganhar Concorrências,
Fraudando os Cofres Públicos,
Frustrando o Contribuinte,
Não construindo o que prometem.
Esperando uma escola,
Ficamos burros;
Um hospital,
Morremos nas filas;
Uma estrada,
Derrapamos na curva mal traçada;
Caimos na vala negra
Dos esgotos à céu aberto.
Que nada disso importa, já sabemos.
O ministro aceita a verba e compra outra fazenda, mata a mata e planta, boi, soja.
A ministra diz: Relaxa e goza!
Trancados dentro de casa, o cidadão que paga seus impostos, para que a máquina do estado funcione, com medo de sair à rua para não ser assaltado pelo adolescente que não freqüenta uma escola que não oferece perspectiva de futuro que se arma e sai roubando um celular um relógio qualquer para dar de comer ao filho não esperado esperando na casa destas amontoadas em construções mal acabadas de cubículos espremidas nas subidas dos morros da cidade crescendo sabendo das dificuldade que terão de enfrentar pela sobrevivência desleal e por causa disto é preso é espancado é atirado em delegacias superlotadas vai pro presídio-escola de pós-graduação do crime e espera de um julgamento que nunca sai porque...
O juiz legisla em causa própria, e...
Quando apanhado no desvio da verba vai pra Miami,
não é julgado,
é aposentado,
com direito a vencimentos de Magistrado.
Assim, ficamos assim:
Reféns:
Dos traficantes
que fecham as vias de acesso aos aeroportos,
porque fica a meio caminho do caminho do seu comércio,
armas e drogas.
Dos controladores de vôo,
Que brigam para ver quem tem controle sobre o espaço aéreo,
Civis ou militares.
Então, não entramos no avião,
Porque eles não decolam.
Não podemos sair do aeroporto,
Porque os traficantes querem as estradas livres,
E de dentro dos presídios,
Pelo celular
Eles exigem resgate por falsos seqüestros.
Dentro do carro,
Pagamos aos cartéis da gasolina adulterada,
E emperramos o caminhão
Nas estradas esburacadas,
Onde as riquezas do país não rodam.
Cúmplices no conluio da corja dos vendilhões do templo,
Fatiando nossa Amazônia,
Enriquecendo na troca, em espécie,
Das espécies, únicas, que lá existem,
Assistimos, Impávidos Colosso,
A ruína dos destroços,
Pelas imagens digitais
Da Rede Globo,
Da nossa incompetência
Para administrar
O Paraíso Tropical,
Que desde a carta de Pero Vaz de Caminha,
Diz que ....nesta terra,
em se plantando tudo dá......
Dá sim, pros outros.... pros Gorilões, os Poderosos.
E pra nós, o zé povinho,
Brava Gente Brasileira,
que faz desta terra,
Com o suor e os calos na mão,
O Gigante Pela Própria Natureza,
Sobra o que, do Progresso?....
Abre o cú que vai o resto.
(texto escrito e publicado no blog em 2007, que volta na íntegra, porque cabe nestes tempos de eleiçôes de cartas marcadas.)
4.10.10
23.9.10
DECLARAÇÃO DE AMOR AO BRASIL
PROMULGO SOB A PROTEÇÃO DE DEUS TODO PODEROSO, DE JESUS CRISTO E DO ESPÍRITO SANTO ESTA DECLARAÇÃO DE AMOR AO BRASIL:
VEJO NO ROSTO DE CADA CRIANÇA UM FUTURO MELHOR PARA NÓS TODOS.
TENHO CERTEZA DE QUE AINDA VAMOS FAZER DO BRASIL UMA PÁTRIA JUSTA FRATERNA IGUALITÁRIA PLURALISTA SOBERANA DEMOCRÁTICA E SOLIDÁRIA PARA TODOS.
SONHO COM UM GOVERNO QUE LUTE CONTRA A POBREZA, A MISÉRIA SOCIAL E INTELECTUAL DO NOSSO POVO ELIMINANDO OS PRECONCEITOS E AS DESIGUALDADES.
SONHO COM UM ESTADO DEMOCRÁTICO, EM CONSTANTE PROGRESSO E DESENVOLVIMENTO.
SONHO COM CRIANÇAS APRENDENDO A ASSIMILAR, QUESTIONAR E POR EM PRÁTICA A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS.
TENHO CERTEZA QUE PODEMOS CONSTRUIR UM BRASIL MELHOR E IMPACTAR TODAS AS NAÇÕES DA TERRA COM NOSSA QUALIDADE DE VIDA.
SONHO COM O BRASIL LEVANDO ESPERANÇA, JUSTIÇA, PAZ E VERDADE ÀS OUTRAS NAÇÕES E ILUMINANDO OS CONFINS DESTE PLANETA.
NÃO SEREMOS GRANDES EXPLORADORES DO ESPAÇO SIDERAL E SUAS GALÁXIAS, MAS NÃO MEDIREMOS RIQUEZAS PARA LEVAR ESPERANÇA E VIDA ATÉ OS NECESSITADOS, AFLITOS, ESQUECIDOS E REJEITADOS DE TODA A TERRA.
21.9.10
R E L I G I Ã O
A religião, a religação com o Divino, o nosso lado menino, aquilo que nos faz inocentes, crentes, a nossa fé, ficou fraca, meteu o pé na jaca, levou rasteira na feira de indulgências, a Torre de Babel de todas as línguas soltas, na voz de alguns espertalhões. Os vendilhões do templo enriquecem, mas querem mais, anéis, coronéis cartéis. Reis de reinos sem dono, momos de seu poder, derrubam fronteiras, esbravejando asneiras versadas nos livros ditos sagrados, fazem o que é preciso, até vender lotes no paraíso para manter seu poder e não perder o conquistado, o explorado filão, libertar o coração do fiel, a fel e fogo, no fogo cruzado, do fogo do inferno, o reino do Satã. Em Bagdá, homens bombas explodem em nome de Alá. Lá em Jerusalém lutam pelas relíquias de Jesus. Credo em cruz, uzeiros e vezeiros, posseiros dos supostos dons superiores, os padres, molestam criancinhas, benzem e dizem amém. Além, logo ali, ao lado, os pastores deixam as ovelhas pastando, pegam em armas, como se se preparassem para um Apocalipse de lobos. Lobistas de milagres celestiais, os tais, dão as costas ao sofrimento terreno e aumentam seu imenso latifúndio no reino do céu, aqui mesmo, nesta terra de Deus.
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ASSOMBROS
Quatro questões que assombram nossas vidas e determinam nossa sanidade mental:
1- Sabemos que vamos morrer
2- Somos livres para viver como desejamos
3- Nossa solidão é intrínseca
4- A vida não tem sentido
Nossas maiores angústias e dificuldades advêm da maneira como lidamos com nossa finitude, com nossa liberdade, com nossa solidão e com a gratuidade da vida!
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gratuidade intrínseca
4.4.10
12.11.09
DEDOS
Dados
Nossos dedos
Abandonados os teclados
Plenos de predicados
Todos delicados
Dedicados
Perdidos de amor
Perdoados os medos
Desmedidos
Metidos
Sobrando sonhos
Assinalando senhas sobre nossas peles
Desenhando rotas ritos
Notas sinfônicas
Atômicas
Atônitas
Dando a tônica
Harmônica
Atordoando nossos sentidos
Atritando nossos atributos
Dois brutos
Britando as certezas
Brincando com as levezas
Levando ao ar arfando as asas do assédio
Assegurando rédeas
Nos enredam
Em redondilhas
Redourando
Redundando
Dando um ao outro
O que nós ainda não sabíamos.
9.11.09
COPA

Em frente aos prédios Art Déco decadentes
As amendoeiras de folhas vermelhas incendeiam o inverno
Onde os velhos jogam nas sombras perdidas damas
Nas calçadas de ajuntadas pedras portuguesas
Desenhadas pelo mestre Burle Marx
Os bares de chopes e petiscos fazem a patuscada
Os fogos de artifício do reveillon
Revelam artes do ofício
Chamariz
Ardis pra nos jogar na areia
Ardentes peles dilatadas veias vibrando ao sol escaldante
Marola espumante que abunda bundas e não dá refresco
Fresca brisa pisa o calçadão na night
O neon pisca (Light, Light) apelando
Pras seminuas mulheres da Help
Cobras criadas a Leite de cobra
Elas não dão nenhum help
Cobram caro
Correm calçada
Na alçada dos incautos
Se de salto puta
Sem salto ladra
Ambas roubam
A alma a calma
Ladram predicados
Clamam impropérios
Chamam amor
À carteira recheada
Máquinas digitais
As tais
Fazem sexo
Instantâneos
Dígitos de prazer
Dádivas ao freguês
O cliente
Estrangeiro otário
Cai no conto do vigário
Pega o traveco
Que agasalha o croquete
Paga um boquete
Em real euros dólares
Dolores Samanthas e Pricilas
Tudo nelas cintila
Enquanto a santa cora
A Nossa Senhora
Copacabana engana
Posa de bacana
Bem sacana
Saca só cara
Na real
É puro virtual!
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Burle Marx reveillon light help art déco
2.11.09
ACRÓPOLE
Em permanente construção
Como a Acrópole em Atenas
Juntar os pedaços
Vai levar uma eternidade
Fragmentos frágeis
Linhas que se tangem
Se acham
Se encaixam
Sobre o que já é ruína
Rumina
Conjura
Rejunta
Jura que termina a tempo
Trampa
Junta a tropa
Atropela
Pela tabelas
Atola na lama
A perna é curta para tanto lance
O pouco alcance
É preciso muitas vidas
Para fazer da vida uma obra.
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acrosofia acróstico acrônico
24.10.09
INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL
Dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes:
1. Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo
2. São levadas por valores. São idealistas
3. Têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade
4. São holísticas
5. Celebram a diversidade
6. Têm independência
7. Perguntam sempre "por quê?"
8. Têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo
9. Têm espontaneidade
10.Têm compaixão
Marcadores:
Inteligencia espiritual holística
23.10.09
11.10.09
A FORÇA REDENTORA
O canto dos galos anunciam
As madrugadas das minhas vigílias
Para o dia do juízo e da condenação
A morte-renascimento
A liberdade e o destino
Inapelável
A plenitude da vida e a proximidade da morte
Posso escolher
Posso recusar
O total altruísmo
O total egoísmo
A força e a fraqueza
A alegria e a angústia
O tormento e o êxtase
O verdadeiramente importante
O supérfluo
O essencial
O tolo
E deixar a emoção tomar conta de todo meu corpo
O estômago
Os músculos
A pele
Até a última célula
Como uma força redentora que tudo transfigura
Que não pode ser acabada
Não pode ser modificada
Não pode ser transferida
O maravilhoso despertar
O próximo e ao mesmo tempo distante
O instante de te ver chegar
Como a Terra Prometida
A entrada triunfal
Na minha vida
De um amor
8.10.09
A VIA LÁCTEA AO FUNDO
Agora sei que não virás porque não mais te interessa o nosso refúgio no meio da tarde que pouco te importam os suspiros embevecidos de tua não presença a crença no teu amor desvaneceu desceu a noite negra rasgou o ar o açoite da dúvida a angústia nublou-me os olhos e os folhos caducos caindo das árvores varridos pelos ventos outonais viraram páginas inúteis na paisagem desolada assolada pela desatenção da ausência de teu vulto oculto no anoitecer tecido de ânsia esfarrapada em rosas despetaladas por a muito esquecidas nos pátios baldios bordados em cristais multifacetados cortantes como facão de facção armada e em pé de guerra como a terra jogada simbolicamente sobre o caixão a pá de cal que encerra as cerimonias sem mais adendos ou remendos aos restos de uma relação já tão pisoteada quanto um capacho onde nem mais cachorro vadio vai dormir suas pulgas às madrugadas vazias de afago nem um trago tragaria a dor ou traria nova cor ao rosto desfeito no leito banido ao deserto assolado pôr sua sede tórrida trazendo no sibilante siroco ecos da falta do teu corpo amado esparramado pôr inteiro nos azuis estrelados tecidos lençóis de linho e lanhos não riscando minhas carnes de tuas unhas loucas em advertências claras abruptas dos rompantes sem atenuantes raspando aplainando o caminho preparando tua vinda tua ida tua chegada ao gozo gargalhando depois em razão confessa da brutalidade do ato que lhe queimava as faces fremindo flâmulas em convulsões de agonia e prazer arrancando de mim arranjos novos tal navio desgovernado sobre ondas de maremoto em remotos mares orientais arrastado pelos costados onde embarcado marinheiro desorientado sou assaltado pôr frêmitos eruptivos ativo vagando vagas vazando vertendo em transe troando tremulo tombando sobre soçobrando abrandando bradando meu amor margeando amargas lembranças na quase ânsia de chorar chamando teu nome nos escombros do meu drama de bêbado de tragédia e cai o pano de um ato findo atirada do revólver a bala imaginária que mata o marginal segredo que mantivemos mergulhados como apaixonados seres sargaços largados às correntezas inchados de uma gravidez de ternura alimentando as imagens de um sonho em que seríamos a aventura e nada além de nós que críamos o mundo e espantados com nossa beleza pensávamos estar nos vendo num espelho tendo a via-láctea por pano de fundo.
Marcadores:
deserto leito baldio tecido em azuis estrelados
2.10.09
CRIADOR
Como não sou Deus
Mas querendo revelar-me criador
Escrevo para bastar a mim mesmo
Escrevo para meu próprio prazer
Escrevo os sonhos da minha particularidade
Como exigências de comunicação
Para afirmar minha solidão
Para que os outros me adotem
Para convence-los de minha existência
Através de minhas virtudes e meus defeitos
Me exponho a procura de leitores
1.10.09
SONHOS EM PALAVAS
Com letras enfiadas nos bolsos
Mergulho fundo na fantasia
Nascida do próprio sonho.
Sonhos de palavras.
Abro o armário de fetiches
Onde as palavras ainda úmidas
Brilham
Com a excitação que desprendem
E me levam ao paraíso.
Prisioneiro da excitação
Rejeito a realidade
A lógica.
Vou do estado do sonho
Ao sonho despertar
Deixando marcas grafadas.
Dos sonhos mais monstruosos
Evoco e crio a minha platéia.
Sonho que escrevo
Escrevo que sonho
E o escrever me acorda.
29.9.09
ORAÇÃO
Sou filho de Deus e do Universo
Que me concedem:
SAÚDE
ALEGRIA
SUCESSO
PROSPERIDADE
RIQUEZA
AMOR
Trazendo para mim
Trabalhos proveitosos e bem remunerados
Fazendo com que o dinheiro circule abundantemente em minha vida
Tudo sempre em excesso Divino!
Que assim seja!
Amém.
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SAUDE ALEGRIA SUCESSO PROSPERIDADE RIQUEZA AMOR
25.9.09
19.9.09
FAGÓCITO
A procura da palavra exata
O sentimento que cabe
De que nada nunca acabe
Que tudo arda
E seja arte
Antevejo você vindo
Vislumbro seu mundo
Me assombro
Saio à luz
Levo até você o que sou
Ingênuo Sábio Náufrago
Carente de afagos esfrego falanges
Fagócito te sorvo absorto como sorvete seiva suco
Me estrago integro e engrolo lânguido
Guiado pôr teu gesto sou grato pôr te ter
Te fito transmito emito
Imanto mitos
Mato o tédio tremo
Tomo-o todo meu
Dou forma firmo flamo
Flanando agrego conteúdo
Mesmo falando grego
Gaguejo alegrias
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agrego alegrias gregas
9.9.09
SEGREDOS SOFISTICADOS
Sem essa de palavras duras.
Fico com bravuras
De doçuras,
Canduras,
Ternuras,
Levezas
e Purezas
Farfalhantes.
Sussurros
De segredos sofisticados.
Alvura de algodão.
Mão na mão morna.
Calma certeza de alma
Limpa inteira.
Eterna água escorregando montanha abaixo,
Estrelas fixas no firmamento,
Verde floresta povoada da bicharada,
Gente encantada,
Crianças enluaradas,
De pézinhos gorduchos,
Fofuchos.
Cochicho
na concha Mar
na orelha Amor
Lã ovelha... balindo... balindo.
Brilhinho
Bombom.
LUZIR LÍNGUA MÃE
Margem de rio limpo,
Saudável alegria líqüida,
Mergulho profundo.
Mundo vasto mundo!
Há! Como gosto de ti!
Surpresas
De estar vivo,
Vinde a mim.
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