28.8.16



NOSTALGIA

 voltei ontem a sala de aula de balé de priscas eras com espelhos chão de madeira e barras a volta e o peso da gravidade agravado os pés cravados com cravos pesados feito ferro pra levantar a cara deformada pelo reflexo que multiplica e refrata a luz fluorescente branca breca as ancas diz a quantas andas em passos da dança vacilante tateante confesso que fui mais figura e mesmo rolando um jazz no piano na gaita no violino o bailarino não baixou não dançou não saravou ou louvou o povo da dança
mas deitei no chão e ouvi os passos os saltos os arabesques e piruettes e grand jetés e pas de deux de um bailado medieval


9.5.13

FLUT



Meu coração em rio não desagua nada nada tudo bóia suspenso supresso a deriva vira vau vaza tinto rubro sangue ruge disrítmico range dentes rasga a carne arde ainda que tarde Covarde dádiva Despe mais um dia Diamantada dama Vem à noite Vadio Vago! Te queria aqui Quisera ainda mais ter-te meu amado para que domado possa mimá-lo lambê-lo como cria creia bebe-lo belo levá-lo a lonjuras as mais puras juras eia como queria rir contigo contíguo vertigo vê-lo verter sem tir-te nem guar-te aguardar-te aguar-te agrandar-te agradar-te dar-me todo a ti Ser teu servo Servir-te blues na bandeja um dejá vú de delícias as mais caras caraminholas carinhosas casa odorada de rosas rosa chá chamá-lo amor orgulhoso oferecer-te salivados beijos jocosos sopros cordato interlúdio do vento na orelha tema de cordas para violar largo largado perpétuo movimento motivação humorosa variação para flauta flute de espumante flutuação ação carregada de significado magnífico fico extasiado a imaginar-te imarginado flamulando em lençóis estendidos em sóis dois caracóis em espirais aspirando ares de ais concertantes instantes bons oboés oba é reprise do tema para dupla de baixos sem baixar a guarda nada guardar nadar azuis sinfonias sim arfar farfalhar flamas flanar no limbo liberar lábios lóbulos bulir balir blasfemar marcar em migratórias longitudes magnitudes tais das quais seja impossível retornar...

28.2.13

CENA I



Claquete, Cena I Ação! Na plataforma do metrô, Por trás dos óculos escuros, vi teu olhar, adivinhando a cor dos meus, Como vidente, depois das lentes Evidente, serpente encantada, Meu corpo rodeia o teu. Tudo o mais some, Olho no olho, mais perto. A composição para, abre a porta, aperto.  Entramos. Quase colados, calados,  close to close. Boca no teu ouvido, orelha pros meus lábios, Voz pra que só você ouça: Saravá, salve orixá! Oxalá! Ultra fashion your body dressing style, Modern bleu jeans. Vous le vous dancer, monsieur? Brinco brilha strás no lóbulo. Quase um ósculo... Bem te ví, Sabiá. Assovio na nuca, sensorio... Como furacão, vulcão, Bafo quente no cangote, Mote pra ferver o sangue. Leva fé rapazote, Não só o figurino Te faz star, Ícone Dean, estrela de fogo de artifício. Artes do ofício, talvez cio, Faz teu olhar luzir. Ao focar o meu, Ilumina o breu, Colore a cena, Anima o set. Segue a viagem em conluio. Sem juras explícitas, Conluio em estado de graça, a paixão. Conclusão: pára o vagão. Finda a sessão. Luz geral na cena. Sem a clássica cena do beijo final, Sem a ilusão do serão felizes para sempre. Vejo você se afastando, Rápido, na rampa, subindo, Sumindo na multidão, Como se em meio aos créditos, E, a câmara, escurecendo o quadro. Fade out. Sem letreiro dizendo: The End.


19.12.12

ESQUECIMENTO



Como é que posso ter te esquecido, se você foi a razão da minha vida, todos os dias, todas as horas, minutos, segundos, presente, ausente, perto, longe, juntos, separados, fazendo, desfazendo,refazendo, aprendendo a fazer, éramos como um só, sentia assim, pensava assim, para isso vivia e ponto, nada além era verdade, era possível ou tinha existência própria, nada se movia ou ia adiante, pode estar certo, era o real, supondo que a recíproca fosse também, que por ser assim, fosse um hino, uma canção composta para duas vozes em honra de um amor, em louvor a uma causa e por causa dela cantada em verso e prosa e melodia melosa, hiperbólica curva plana em que cada um dos seus pontos mantém igual distancia de dois pontos fixos chamados focos e o foco era você, do meu olhar, do meu corpo, do meu prazer, da minha dor se doesse em você, vertente, ente, ser único que julgava conhecedor dos mistérios, inerente da generosidade, a grandiosidade, luminosidade que eu via no universo, terço a ser rezado de joelhos, infinitésima parte poderia ser a contrapartida, mesmo partida de mim, pensava assim e me esforçava querendo, me tingindo milagroso, criar colapsos de colisões cósmicas, próximas o bastante para te apresentar, te presentear, te adornar, agrandar, por isso dançava, cantava, pintava e bordava com linhas de sete cores, arcos no céu para encontrar o pote de ouro e poder te oferecer o além dos limites, levitando montanhas, aplainando o caminho, caminhando a frente para secar a lama para que teus pés não tocassem coisas impuras, purificado-o com palavras abençoadoras para ser merecedor do toque de teus lábios supondo-os só meus, somando tostões comprava o pão nosso ficando sem camisa própria, para poder vestir-te príncipe, princípio, meio e fim de minha razão, vazão de minhas alegrias, mania de querer para você só o melhor, mesmo antes de teres imaginado, criando mundos mágicos para te deslumbrar, paródias, prosódias, prosopopéias, epopéias, odisséias espaciais, especiais mini-séries com serial killers living on the hig-life, para te entreter tecia tramas tecnológicas, toadas tristes tangidas nas cordas da viola dolente falando da gente simples e sem maldade, da idade de ouro sussurrada em conversas ao pé do fogo, arroubos do homem das cavernas movendo-se nas sombras de um mundo recém começado, caçado como o alquimista medieval volatilizando-se por vielas, vazando para evitar ser vítima do inquisidor e do decepador machado do carrasco, por ter procurando um mundo novo no cadinho da fermentação pútreda do mundo velho, mudando para ser o pirata rapinante aportando paraísos recheados de riquezas, procurado nos sete mares conhecidos, sabidos safaris nada românticos nas savanas Africanas, sacanas abatendo a tiros tigres ou enormes elefantes para roubar-lhes a riqueza da pele ou do marfim, enfim, buscar o conhecimento nos pergaminhos da Grande Biblioteca de Alexandria antes que ardesse em chamas, chamando o divino para te ilustrar, instruir, construir jardins tão belos quantos os que houveram na Babilônia para que embevecido de amor você passeasse neles, enlevado e, acompanhada por revoada de pombas brancas, brilhasse, refletida nas águas de lago artificial, tal o que mandou construir João Fernandes, o Tratador de Diamantes, no Arraial do Tijuco, para passear o barco da sua bela amada Chica da Silva, sua narcísica figura e, figurar nas altas rodas, rodeado de belezas Globais, como o Tal e eu, a sombra, o criado, fiel escudeiro, escada, coadjuvante de cavaleiro andante a derrubar moinhos imaginários lutando pela glória do amor, inventado, catucado com um pauzinho na poeira de estrelas que eu mesmo fizera derramar por ti do alto firmamento, infinita chuva de pétalas de rosas para um pisar macio ao sair do banho de imersão com sais aromáticos importados da Pérsia e ir deitar teu corpo, amado, em lençóis de linho do Egito, em colchas entretecidas de brocados relevados em sedas da China, ouro e prata da antiga Índia, tinindo, retinindo, luzindo, ecoando, fazendo atinar buscar rebuscados diademas ornados de diamantes, safiras, rubis, surrupiados do tesouro particular de Sultões, salteados sem peias para adornar a alcova do amor imaginado, imarginado, sonhado, adorado, odorado por varetas incandescentes importadas de um templo do Tibet para purificar, mandalas, pentagramas, amuletos, patuás para te proteger de todo o mal de que porventura uma desventura te ocorresse, acorrendo na frente a te iluminar com o lume da sapiecia o caminho com todo o carinho de silfo silenciado ou tal Sherazade, a meia luz, contando histórias sem fim para que nos meus braços adormecesses, tudo isso e muito mais em vão, vaidade, vaidade, vaidade, teu nome é.... silogismo, cujo simbolismo é tua conclusão.

13.11.12

O TIGRE



Andando pela calçada, na alçada da presa, semelha tigre na jaula do zoológico, ilógica majestade de animal selvagem, voragem sinuosa da beleza de formas, enformado em másculos músculos ondeando, adejando a imponência na impotência do cativeiro, viveiro cercado, cerceado animal a olhar mirando a perdida floresta, resta a submissão de ser subserviente a uma causa que lhe causa pouco gosto pôr não ser leve ou levar livre a procura ao par, parte ferido de tudo que está ao seu alcance, lance de sabedor da dor do que tem que ser conquistado, restado presa que será sempre posta a prova, parte pressa de quem assa e sabe da fome, parte posta de carne exposta, farta oferta, arfa a angústia do que ainda não sabe, sobram sombras do que é e assim anda com a camiseta enfiada no cós da calça como um cauda, dardejando de um poste ao outro trilha seu território de caça, alça o peitoral quando o carro passa, rechaça raia miúda, muda a expressão quando sente o valor do adversário, versado no que é bom, conhece marcas, casual tem seus mitos, muitos italianos, Ferrari, Versacce, Armanni, Michelangelo, Mastroianni, Antonioni e suas magistrais criações povoam sua imaginação suburbana, mas, bacana, está estudando Desenho Industrial, não faz mal o ir e vir, virar-se paga a despesa da calça griffada Diesel, self made man malha ferrado na academia, economia é na calculadora, ora, pois sabe que um dia o destino vai lhe abrir as portas aportando no seu mundo o mundo que sonha, sabedor da dor de crescer e ser gente gasta a sola dos tênis que o tamanho do pênis possibilita, habilitado que está com a ferramenta apropriada ao metiêr, michê, meter, macho se acha, chamando a atenção pela atitude, a concretude dos gestos que dizem que tem gosto refinado, afinado com seu tempo, ocupa sua juventude, mas não se ilude pois sabe que o príncipe não virá numa carruagem resgatá-lo das ruas, as rusgas rasga com o coração carente de afeto tecendo versos que digita na tela do celular num twitter sem seguidores, livrando-o de mágoas, assim fabrica o tempo e o valor da noite pelos dígitos teclados no caixa eletrônico, compondo página a página o bilhete da passagem na sua viagem de primeira classe, passe para uma vida com mais glamour, um amor talvez comprado, que outra porta?, também, que importa, e tudo não tem um preço?, a pressa lhe assalta as vezes vinda da ânsia de alcançar os objetivos, vocifera impropérios em voz baixa para não ofender aos deuses nem os clientes, estes, os tem às mãos cheias, sempre recheados de desejos inconfessáveis que querem pôr em prática com um profissional, normal pois alguns são realizáveis, cabíveis, outros absurdos, desfaz-se deles fazendo ouvidos de surdo, ao surtado preenche fantasiando, dando sempre a altura do momento, toca no ponto, troca sem mentir nem iludir, direciona a ação, cão sem dono sabe bajular, beijar, bombar feito bamba, atende e entende, domina, anima, mima, mama, declama versos, sustenta a prosa, safado está fadado a se dar bem, faz fado da má sorte que a vida lhe apresenta, representa o desafio quando extrai a essência do animal masculino, no mínimo as qualidades de cada homem com que se defronta, afronta mas não conta suas aventuras, juras também não faz, faz de conta que se interessa mesmo que o interesse seja a sério, ri do mercado da carne a disposição, a posição está firmada, dará conta do recado enquanto ainda não vê o horizonte claro, claro está que faz o possível para ser abraçado pôr alguém que não quer somente seu sexo, mas seu amor, quer uma família em paz com o mundo, modo de estar ajustado a realidade, deseja sempre reconstruir-se para que algo mágico dele se mostre, mesmo que o significado nem ele saiba intuir, por isso flui seu vigoroso ir e vir.

6.1.12

A Natureza de um Ato: sua virtude.



Avançai, ó crianças, sob as estrelas, e tomai a vossa plenitude de amor.
Todos os atos são na verdade atos de Amor. Realize todos os Amores que possam existir, ao máximo. Que isto seja na Luz, perante todas as Estrelas, que todas possam ver e regozijar.

12.9.11



" Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destroi o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar. Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade."

Pablo Neruda

4.9.11

UMA CRIATURA



Sei de uma criatura antiga e formidável,
Que a si mesma devora os membros e as entranhas,
Com a sofreguidão da fome insaciável.
Habita juntamente os vales e as montanhas;
E no mar, que se rasga, à maneira do abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.
Traz impresso na fronte o obscuro despotismo;
Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e egoísmo.
Friamente contempla o desespero e o gozo,
Gosta do colibri, como gosta do verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.
Para ela o chacal é, como a rola, inerme;
E caminha na terra imperturbável, como
Pelo vasto arealum vasto paquiderme.
Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo
Vem a folha, que lento e lento se desdobra,
Depois a flor, depois o suspirado pomo.
Pois essa criatura está em toda a obra:
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto,
E é nesse destruir que as suas forças dobra.
Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida;
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a morte; eu direi que é a vida.

Machado de Assis


16.7.11

“E O RESTO QUE VENHA SE VIER, OU TIVER QUE VIR, OU NÃO VENHA".



Quero tudo novo de novo. Quero não sentir medo. Quero me entregar mais, me jogar mais, amar mais.
Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia. Aproveitar os amigos e abraçá-los mais. Quero ver mais filmes e comer mais pipoca, ler mais. Sair mais. Quero um trabalho novo. Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto. Quero morar sozinho, quero ter momentos de paz. Quero dançar mais. Comer mais brigadeiro de panela, acordar mais cedo e economizar mais. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais. Pensar mais e pensar menos. Andar mais de bicicleta. Ir mais vezes ao parque. Quero ser feliz, quero sossego, quero outra tatuagem. Quero me olhar mais. Cortar mais os cabelos. Tomar mais sol e mais banho de chuva. Preciso me concentrar mais, delirar mais.
Não quero esperar mais, quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais. Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente e só o necessário para trás. Quero olhar nos olhos do que fez sofrer e sorrir e abraçar, sem mágoa. Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa. Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão. Quero aceitar menos, indagar mais, ousar mais. Experimentar mais. Quero menos “mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais.
“E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha".

Fernando Pessoa

10.4.11

RETOMADA



Tenho tido pouco tempo para escrever e postar aqui no blog, mas fui surpreendido pelo comentário de um amigo no poema "Desencontro". Transcrevo aqui, pelo valor poético e de pleno entendimento do conteúdo, o que se segue:

A vida é um desencontro de encontros; isso me leva à "Missa do galo" de Machado de Assis, onde se pode constatar o quanto a noite é permissiva,lasciva, amoral, libidinosa, 'prenhe' de sensualidade: o que ela nos permite dizer ou fazer, nao diríamos nem faríamos à luz do sol...
A net, como a noite, nos proporciona "encontros" e "desencontros", o que se diz online nao se tem coragem de dizer face to face e assim vamos num redemoinho de contatos,num momento o amanhã que vc pensou haver chegado se desfez, o toque suave e sensual que pareceu SER REAL, pois fez vc tremer, sentir o suor descendo pelo rosto, o coraçao e a respiraçao desordenados, ERA VIRTUAL. Com um clic, a luz se apaga e tudo se esvaece... O relógio continuou, a luz do sol brilhou, com bocejos acordou e de tudo se esquece......
(Etrusco)


1.11.10

FADO



Disseram que tudo está escrito
Cora Coralina disse: se tudo está escrito, o que sobrou pra mim?
digo que o fado mais triste pode ser mudado num jogo de dados
dando tratos a bola
bolando coisas de travéz pra atravessar
as linhas trançadas do destino
porque:
em não as comendo as traças
podem arrebentar
bifurcar
errar em diversas saidas
das tripas ilusão sim e talvez
a vez do próximo
mover-se em duplo sentido
o tido e o querido
o rido e o chorado
versado em versos raros afirmo:
tudo ainda tem que ser escrito
nada do que foi dito está concluido
o fito carece de confirmo
a afirmação abre pra dúvida
a vida é dádiva
mas também é lágrima
a grama as vezes esconde a lama
a certeza de quem ama esvai
num ai
aí tem que pegar outra direção
outra intenção
outra atenção
outra ação
mesmo sofrendo feito cão escorraçado
a raça do vencedor
de quem quebra a dor
dobra uma esquina
quina pro azar
arranja outros quinhentos
outros ventos
e vai ser grande nesta vida!

14.10.10

OSCAR



A Porca Pig,
Fantoche do Sapo Barbudo.
O Senhor Burns,
Politicamente incorreto.
Concorrem ao Oscar.
Você já viu estes filmes?
Seu voto vai para quem?

10.10.10

SEM RUMO



Sem partido
Atalhado
Em mil direções
Perdido do bando
Bandido de banda
Bandalho
Alheio
Sem enleio
Leio e nem engendro
Dramomaníaco ando sem razão
Egresso dos meus recônditos
Dito desditos
Em desatino
Em recesso
Roo o osso
Cioso pouco posso
Passo por mim desconhecido
Amanhecido
Esqueço os sonhos que me povoaram o sono.

5.10.10

ORDEM E PROGRESSO




Reféns,
De um Presidente omisso,
Vendedor, mascate do Etanol,
que nunca vê o que está acontecendo;
De um Congresso Balcão de Negócios,
Partidários, Públicos, Privados;
De Parlamentares corrompidos pelo sistema;
Lobistas Vorazes,
Oferecendo Propina,
Propalando Verbas.,
Cobrando Influências,
Beneficiando Empreiteiras,
Viciadas em ganhar Concorrências,
Fraudando os Cofres Públicos,
Frustrando o Contribuinte,
Não construindo o que prometem.
Esperando uma escola,
Ficamos burros;
Um hospital,
Morremos nas filas;
Uma estrada,
Derrapamos na curva mal traçada;
Caimos na vala negra
Dos esgotos à céu aberto.
Que nada disso importa, já sabemos.
O ministro aceita a verba e compra outra fazenda, mata a mata e planta, boi, soja.
A ministra diz: Relaxa e goza!
Trancados dentro de casa, o cidadão que paga seus impostos, para que a máquina do estado funcione, com medo de sair à rua para não ser assaltado pelo adolescente que não freqüenta uma escola que não oferece perspectiva de futuro que se arma e sai roubando um celular um relógio qualquer para dar de comer ao filho não esperado esperando na casa destas amontoadas em construções mal acabadas de cubículos espremidas nas subidas dos morros da cidade crescendo sabendo das dificuldade que terão de enfrentar pela sobrevivência desleal e por causa disto é preso é espancado é atirado em delegacias superlotadas vai pro presídio-escola de pós-graduação do crime e espera de um julgamento que nunca sai porque...
O juiz legisla em causa própria, e...
Quando apanhado no desvio da verba vai pra Miami,
não é julgado,
é aposentado,
com direito a vencimentos de Magistrado.
Assim, ficamos assim:
Reféns:
Dos traficantes
que fecham as vias de acesso aos aeroportos,
porque fica a meio caminho do caminho do seu comércio,
armas e drogas.
Dos controladores de vôo,
Que brigam para ver quem tem controle sobre o espaço aéreo,
Civis ou militares.
Então, não entramos no avião,
Porque eles não decolam.
Não podemos sair do aeroporto,
Porque os traficantes querem as estradas livres,
E de dentro dos presídios,
Pelo celular, o comparça apenado, pego no desvio,
exige resgate por falsos seqüestros.
Dentro do carro,
Pagamos aos cartéis da gasolina adulterada,
E emperramos o caminhão
Nas estradas esburacadas,
Onde as riquezas do país não rodam.
Cúmplices no conluio da corja dos vendilhões do templo,
Fatiando nossa Amazônia,
Enriquecendo na troca, em espécie,
Das espécies, únicas, que lá existem,
Assistimos, Impávidos Colosso,
A ruína dos destroços,
Pelas imagens digitais
Da Rede Globo,
Da nossa incompetência
Para administrar
O Paraíso Tropical,
Que desde a carta de Pero Vaz de Caminha,
Diz que ....nesta terra,
em se plantando tudo dá......
Dá sim, pros outros.... pros Gorilões, os Poderosos.
E pra nós, o zé povinho,
Brava Gente Brasileira,
que faz desta terra,
Com o suor e os calos na mão,
O Gigante Pela Própria Natureza,
Sobra o que, do Progresso?....
Abre o cú que vai o resto.


(texto escrito e publicado no blog em 2007, que volta na íntegra, porque cabe nestes tempos de eleiçôes de cartas marcadas.)

23.9.10

DECLARAÇÃO DE AMOR AO BRASIL



PROMULGO SOB A PROTEÇÃO DE DEUS TODO PODEROSO, DE JESUS CRISTO E DO ESPÍRITO SANTO ESTA DECLARAÇÃO DE AMOR AO BRASIL:

VEJO NO ROSTO DE CADA CRIANÇA UM FUTURO MELHOR PARA NÓS TODOS.

TENHO CERTEZA DE QUE AINDA VAMOS FAZER DO BRASIL UMA PÁTRIA JUSTA FRATERNA IGUALITÁRIA PLURALISTA SOBERANA DEMOCRÁTICA E SOLIDÁRIA PARA TODOS.

SONHO COM UM GOVERNO QUE LUTE CONTRA A POBREZA, A MISÉRIA SOCIAL E INTELECTUAL DO NOSSO POVO ELIMINANDO OS PRECONCEITOS E AS DESIGUALDADES.

SONHO COM UM ESTADO DEMOCRÁTICO, EM CONSTANTE PROGRESSO E DESENVOLVIMENTO.

SONHO COM CRIANÇAS APRENDENDO A ASSIMILAR, QUESTIONAR E POR EM PRÁTICA A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS.

TENHO CERTEZA QUE PODEMOS CONSTRUIR UM BRASIL MELHOR E IMPACTAR TODAS AS NAÇÕES DA TERRA COM NOSSA QUALIDADE DE VIDA.

SONHO COM O BRASIL LEVANDO ESPERANÇA, JUSTIÇA, PAZ E VERDADE ÀS OUTRAS NAÇÕES E ILUMINANDO OS CONFINS DESTE PLANETA.

NÃO SEREMOS GRANDES EXPLORADORES DO ESPAÇO SIDERAL E SUAS GALÁXIAS, MAS NÃO MEDIREMOS RIQUEZAS PARA LEVAR ESPERANÇA E VIDA ATÉ OS NECESSITADOS, AFLITOS, ESQUECIDOS E REJEITADOS DE TODA A TERRA.


21.9.10

R E L I G I Ã O



A religião, a religação com o Divino, o nosso lado menino, aquilo que nos faz inocentes, crentes, a nossa fé, ficou fraca, meteu o pé na jaca, levou rasteira na feira de indulgências, a Torre de Babel de todas as línguas soltas, na voz de alguns espertalhões. Os vendilhões do templo enriquecem, mas querem mais, anéis, coronéis cartéis. Reis de reinos sem dono, momos de seu poder, derrubam fronteiras, esbravejando asneiras versadas nos livros ditos sagrados, fazem o que é preciso, até vender lotes no paraíso para manter seu poder e não perder o conquistado, o explorado filão, libertar o coração do fiel, a fel e fogo, no fogo cruzado, do fogo do inferno, o reino do Satã. Em Bagdá, homens bombas explodem em nome de Alá. Lá em Jerusalém lutam pelas relíquias de Jesus. Credo em cruz, uzeiros e vezeiros, posseiros dos supostos dons superiores, os padres, molestam criancinhas, benzem e dizem amém. Além, logo ali, ao lado, os pastores deixam as ovelhas pastando, pegam em armas, como se se preparassem para um Apocalipse de lobos. Lobistas de milagres celestiais, os tais, dão as costas ao sofrimento terreno e aumentam seu imenso latifúndio no reino do céu, aqui mesmo, nesta terra de Deus.

ASSOMBROS




Quatro questões que assombram nossas vidas e determinam nossa sanidade mental:

1- Sabemos que vamos morrer

2- Somos livres para viver como desejamos

3- Nossa solidão é intrínseca

4- A vida não tem sentido

Nossas maiores angústias e dificuldades advêm da maneira como lidamos com nossa finitude, com nossa liberdade, com nossa solidão e com a gratuidade da vida!

4.4.10

12.11.09

DEDOS



Dados
Nossos dedos
Abandonados os teclados
Plenos de predicados
Todos delicados
Dedicados
Perdidos de amor
Perdoados os medos
Desmedidos
Metidos
Sobrando sonhos
Assinalando senhas sobre nossas peles
Desenhando rotas ritos
Notas sinfônicas
Atômicas
Atônitas
Dando a tônica
Harmônica
Atordoando nossos sentidos
Atritando nossos atributos
Dois brutos
Britando as certezas
Brincando com as levezas
Levando ao ar arfado
Asas do assédio
Assegurando rédeas
Nos enredam
Em redondilhas
Redourando
Redundando
Dando um ao outro
O que nós ainda não sabíamos.