12.10.07

FEITO ASSIM...

Navegar tuas águas,
Espraiar minhas mágoas.
Expor minhas penas.
Explaná-las apenas.
Depená-las feito galinhas d’Angola,
Bocó da mola,
Gritando to fraco to fraco.
To um craquelado em caco.
Tenho ganas de degolá-las,
Extirpá-las.
Reparti-las feito mosaico bizantino.
Legítimo cretino,
Não junto lé com cré.
Quero mé.
Quero sair do limo.
Quero mimo.
Abraços e um quejo,
Pra rimar com bejo.
Hiperurbanismo do meu coração,
Dou toda vazão,
Dizendo quero o malhor
Na telha do meu amor.
Sei lá como, creio,
Não pode ficar mais feio.
Esgarçado feito tecido finório,
Cara simplório,
Me desfaço em fios,
Escorrego feito rios.
Entrelaço meu entulho,
E dele, nem me orgulho.
Carrego-o feito trouxa,
Que de tão frouxa,
Se esparrama,
Como batatinha em rama.
Escorraçado feito cão chutado,
To malamado,
Querendo chá de colher
Um sentimento qualquer,
Fazendo estofo no peito,
Meio assim de um jeito
Gordinho, feito urso de pelúcia,
Da minha mesma súcia.
Suburbano quero o humano.
Súcubo sucumbo súdito.
Para provar que sou sincero
Digo logo o que quero.
Completo, me atirando aos pés.
Mesmo que tudo, seja feito assim, ao revés.

Um comentário:

Sonia disse...

Zeca! è vc mesmo? Muitos talentos... Sério e brincalhão. Sentimentos profundos te guiam. Te gosto muito zeca!
BEIJOCAS!!!
soninha